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Bem-Estar:
Quero colo
 

Há algo nos adultos que não muda: mesmo muito longe da infância, aos 20, 40, 60 anos, estamos sempre querendo provar do calor de estar nos braços de alguém que simplesmente nos aceite. Se junto com essa maravilha tiver um cafuné, então é o céu...

A razão dessa busca é tão antiga quanto nosso código genético. Nesse gesto recuperamos o contato com o que há de mais humano – afinal, antes de nascer, todos ficamos meses na posição fetal, nossa primeira referência de proteção. A qualidade do colo que a criança recebe, especialmente até o primeiro ano de vida, vai determinar toda sua estrutura e seu desenvolvimento. Nosso contorno físico e emocional é criado desse gesto, que molda nossa capacidade de dar e receber proteção, intimidade, conforto.

Mesmo que muitos adultos neguem, estamos sempre reinventando maneiras de voltar àquele quentinho primordial. As crianças crescidas fazem isso brincando de tenda. Na adolescência, andar em grupo é outro jeito de experimentar novas possibilidades de acolhimento. Mais tarde, quando o amor chega para valer, com mais volúpia, descobrimos o quanto o colo é mesmo coisa de pele. Não requer explicação, apenas proximidade e encaixe.

Sintonia fina
Seja qual for a situação em que ocorra, arredondar os braços e rechear esse espaço com outro ser humano é das mais prazerosas emoções da intimidade. A trilha sonora perfeita para esse momento? O tum tum do coração do outro, próximo, audível, pulso ritmado que reafirma que uma vida está sintonizada com a outra. Assim, a respiração sossega, o coração se abre para que caibam ali os melhores sentimentos. Colo é sopro que renova a alegria e cura do chororô sem motivo ao corte no dedo, da aflição passageira à dor funda do luto. Colo nutre. Que o digam as milhares de mães que, em vez de encubadeiras, garantiram o desenvolvimento de seus filhos prematuros apenas colocando-os contra o peito, pele com pele: são as chamadas mães canguru.

Dar colo para filhos, afilhados, sobrinhos é outra das artes deliciosas do aconchego. Mas repare que, às vezes, embora seja o adulto sustentando a criança, é ela que está dando colo, pois é impossível ficar imune ao sorriso infantil e ao calor da inocência. Não há estresse, pensamento negativo, ansiedade que resistam. E olhe que elas nem cobram por essa mágica!

Expandir e recolher
Mas quem não tem anjos, mãe, pai, namorado, amigo de plantão pode ficar tranqüilo: esse efeito pode ser experimentado de maneiras simbólicas e não menos aconchegantes. Fechar os olhos e imaginar uma linda paisagem, meditar ou fazer algo de que gosta muito são formas de dar colo válidas pela vida toda. Por mais louco e agitado que seja seu ritmo, é importante alternar os momentos de estar no mundo – aberto para as experiências – com momentos de recolhimento (que simbolizam o conforto do colo), em que digerimos emoções e descansamos para voltar ao que é externo a nós. Quem fica apenas para fora tende a encontrar esse recolhimento em duros processos de depressão e doenças.

Então, vale o conselho: quando você estiver muito agitado, insatisfeito, triste, solitário, antes de sair falando demais, comprando demais, comendo demais e cometendo outros excessos, que vão causar arrependimento e mal-estar, pergunte se o que você precisa não é mesmo de colo. Se a resposta for sim... Deite-se, espreguice esticando todo o corpo, depois sente-se sobre os calcanhares e enrole o tronco para frente, apoiando o rosto no chão e mantendo os braços para trás. Expandir-se e, na seqüência, enrolar-se são movimentos de reequilíbrio.

 
Fonte:
Data: 11/5/2004
 
 

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