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Auto-conhecimento: Se não agora, quando?
 

O despertador toca e você tenta ignorá-lo. Mas levanta-se, toma banho, escova os dentes, veste-se e serve-se apenas de um café. No caminho para o trabalho, seja de carro ou de ônibus, parece que todos resolveram lançar-se às ruas no mesmo instante, bem provável que você chegue ao destino com atraso.

No trabalho, você cumprimenta brevemente seus colegas. Vários telefonemas para dar, receber e retornar. Muitos e-mails para ler, responder e deletar. Seu chefe solicita urgência num projeto engavetado há meses. Algum cliente apresenta-lhe uma reclamação qualquer. Você dispara contra seus subordinados.
O almoço ocorre fora de horário, no mesmo restaurante e com o mesmo sabor já industrializado em seu paladar. Talvez você fume um cigarro, talvez prefira uma bala de hortelã. Talvez os dois.

E assim transcorre o dia, até o momento de retornar para casa. Talvez você vá até uma academia fazer ginástica, talvez vá ao conservatório praticar um instrumento, talvez vá ao shopping olhar vitrines. Ou talvez se contente com o noticiário, a novela e o reality show. Até que o despertador toque novamente, no dia seguinte...

A palavra é: rotina. Assim vivemos e morremos, dia após dia, percorrendo os mesmos caminhos, mecanicamente. Assim tornamos nossas carreiras desestimulantes, nossos relacionamentos insípidos. Desencanto, alienação e desespero. O prazer e a alegria são raros. E voláteis. Somos completamente infelizes em nossa infelicidade e brevemente felizes em nossa felicidade. E estamos sempre aguardando o dia seguinte, quando tudo o que era para ter sido e que não foi, acontecerá.

Já ouvimos muito sobre a importância de termos uma visão de futuro, sobre a capacidade de sonhar, a habilidade de traçar metas e a disciplina para concretizá-las. E não recuamos em nossos propósitos, porque são princípios. Mas precisamos inventar uma nova agenda. Ela não se compra em papelaria, porque nela não se escreve. Não está disponível em versão eletrônica, porque nela não se digita. Seu custo é nulo, pois não demanda investimento, não exige que se tenha um palm, uma caneta, nem sequer alfabetização. É uma agenda da mente. É uma “Agenda de 10 Segundos”.

A cada amanhecer, temos que ter a certeza de que aquele é o momento a ser vivido. Em que pesem os planos voltados para o futuro, com os pés firmes no chão e os olhos no firmamento do céu, a vida está acontecendo aqui e agora. Por isso, nossa agenda não pode contemplar mais do que os próximos 10 segundos. Talvez breves, talvez distantes, talvez intermináveis e, talvez, inatingíveis 10 segundos.

Esta consciência permitirá agradecer a cada despertar em vez de hesitar em levantar. Irá lhe ajudar a lembrar de dizer “bom dia” aos que te cercam. Te incitar a procurar novos restaurantes e novos sabores durante o almoço. Te proporcionar o poder de resignação e de resiliência diante das inúmeras adversidades que se sucedem. Nem sempre será assim. Mas que seja sempre que possível.

Fundamentalmente, a Agenda de 10 Segundos irá te ensinar a agradecer, a elogiar, a perdoar, a se desculpar, a sorrir e a amar no momento em que as coisas se dão. E isso possibilitará amizades fortuitas que se tornam perenes, negócios de ocasião que se tornam recorrentes e paixões de uma única noite que se tornam amores de toda uma vida.

 
Fonte:
Data: 11/5/2004
 
 

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