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Saúde: toda a riqueza das folhas
 

Certa manhã, um velho criador de cavalos descobriu que seu melhor animal estava com câncer na perna. O normal seria sacrificá-lo, mas ele era religioso e não fez isso. Soltou o bicho no pasto para que terminasse seus dias em paz. Notou que o cavalo gostava especialmente de pastar num cantinho onde cresciam algumas ervas. Para sua grande surpresa, três semanas depois o tumor secou e começou a se separar dos tecidos normais. O cavalo ficou bom. O homem pesquisou as plantas e desenvolveu uma tintura que o tornou famoso na região: curava câncer de qualquer bicho.

Como é que o cavalo sabia? E que saber é esse, num animal irracional? Sempre me pergunto isso quando vejo os gatos optarem por alguns matinhos. Eles trocam qualquer coisa – carne, peixe, sono – por uma folhinha de grama. Amam as pontinhas macias do capim-limão, adoram grama-barbante, mas não dão a menor bola para os matos que a gente come: alface, rúcula, brócolis, salsa, cebolinha. Bem que cheiram, interessados, mas nem lambem. A única explicação é que bicho já nasce sabendo. Diferentemente de nós, que fazemos até questão de ignorar certas comidas que, apesar de ótimas, não são valorizadas pela cultura.

Na salada, na sopa, no refogado
Por exemplo, caruru. Não adianta procurar em feira ou supermercado, que ele só dá em mato, terreno baldio e beira de calçada. É a folhinha verde mais rica que existe em ferro e vitamina A. Macia, de sabor neutro, funciona bem na salada e melhor ainda quando é refogada com um pouquinho de alho: lembra um pouco agrião, que é outro exemplo. Todo mundo conhece agrião. Mas é difícil comer muito dele ao natural por causa do sabor picante. No entanto, é riquíssimo em cálcio, ferro, iodo e clorofila, e basta afogá-lo num caldinho (de rabada, dirão alguns) ou passar no azeite que fica doce, maravilhoso, e come-se meio maço de cada vez. Outra que geralmente é jogada fora: folha de cenoura. Crua, só se for muito tenra. Geralmente se aferventa até ela ficar verde-escura brilhante, aí se espreme na tábua para cortar miudinho e temperar com molho de soja, azeite, limão – ou apenas sementes de gergelim. Tem um sabor suave e incomum. Já as folhas de nabo daikon, aquele branco, comprido, são mais picantes: lembram a mostarda e como ajudam a criar entusiasmo quando estamos meio jururus. Folhas de aipo, ou salsão, já provou? São fortes e muito saborosas, tanto para acompanhar arroz como carnes.

Folhas de abóbora, rabanete, beterraba e couve-flor, todas servem para comer. Mesmo que não sejam deliciosas, quebram o galho quando há pouca escolha – antes isso do que nada. E antes de nada sempre existe o repolho, que dura muito tempo na geladeira e é das folhas mais nutritivas que existem. Rico em enxofre, desintoxica.

Entusiasmo e muita vitamina
O grande barato das folhas é que são cheias de vitaminas e minerais, leves, fáceis de digerir e geralmente gostosas, desde que a gente se disponha a conhecer o gosto. Os sabores mais fortes em geral são suavizados pelo cozimento. Chicória, por exemplo. Crua ela é bem amarga, de folha grossa, mas, cozida, fica macia e doce. Regula o intestino e favorece a digestão. Refogada com azeite e alho, cortadinha feito couve, é deliciosa. Cozida sem cortar, inteirinha, com um pouco de azeite e sal, é divina. Seu chá, tomado por vários dias de manhã, em jejum, desentope tudo. Anote: não cozinhe demais. Nenhuma folha deve passar do ponto verde-escuro brilhante porque perde qualidades essenciais. Uma delas é a clorofila, que renova e alimenta o sangue quando encontra o ferro dentro do corpo e se transforma em hemoglobina. E ferro, onde se arranja? Comendo folhas de batata-doce cozidas, se você quiser, ou melado de cana: meia xícara delas e duas boas colheradas dele suprem a necessidade diária de ferro de um trabalhador.

E há as pequeninas poderosas, como salsa, hortelã, cebolinha, todas ricas em vitaminas C e A, ferro e outras coisas boas. Todas são desintoxicantes. O coentro é isso tudo e ainda elimina o mercúrio que nos polui. Povos pobres e resistentes, como hindus e nordestinos, comem sempre com folhinhas de coentro junto. Será que já nascem sabendo?

 
Fonte:
Data: 11/7/2003
 
 

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