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Crianças:
Crescendo naturalmente
 

Leo Buscaglia inicia o prefácio de seu livro "Vivendo, Amando e Aprendendo" dizendo: "Nikos Kazantzakis sugere que os pais são os que se fazem de pontes, que convidam os filhos a atravessarem, e depois, tendo facilitado a travessia, desmoronam-se com prazer, encorajando-os a criarem as suas próprias pontes".

É assim que nós, pais, devemos ser: exemplos e não "manuais de instruções para a vida"! Depois que a criança nasce, nos enchemos de ansiedade e orgulho e passamos, dia após dia, "exigindo" (inconscientemente) que nosso filho seja sempre o melhor: o mais bonito, o com maior peso, o mais esperto, o mais inteligente, o maior, o mais desenvolvido para a sua idade, enfim, um verdadeiro campeão de uma maratona que ele, aos poucos, vai percebendo o quanto está sendo pressionado para vencer. E não nos damos conta do quanto ele pode estar sofrendo por acreditar que estará nos desapontando terrivelmente se não corresponder às nossas listas infindáveis de cobranças e comparações. Certamente, em algum momento chegarão a duvidar se realmente os amamos por aquilo que eles são ou se esse amor depende do quanto eles se encaixam no “modelo” que insistimos em exibir o tempo todo.

Quantas vezes o arrancamos de seu casulo e o obrigamos a se mostrar desajeitado, tímido e decepcionado por não conseguir corresponder às nossas expectativas? Quantas vezes fazemos comparações, tentando convencê-los de que todas as crianças deveriam ser iguais, ou melhor, de que ele sempre deveria ser melhor?

Cada filho tem o seu tempo! Cada criança tem suas próprias qualidades e precisa ser reconhecida por isso; precisa ser encorajada a crescer e não subestimada e igualada como se fosse brinquedos fabricados em série! Toda criança vive em pleno desenvolvimento. Elas têm uma capacidade notável de absorver informações e aprender, mas só podem crescer se respeitarmos o seu tempo, se dermos à ela a oportunidade de amadurecer suas habilidades.

Devemos começar a prestar mais atenção ao ritmo de nossas crianças ao invés de nos concentrarmos em nosso próprio tempo, nos tornando egoístas, apressados e impacientes. Quantas vezes forçamos um bebê a se sentar logo? Achamos que já está na hora e decidimos que ele está pronto! E depois que ele não quer mais ficar deitado (porque já conheceu o mundo por outro ângulo mais interessante) e chora o tempo todo para que o coloquem sentado (porque ele ainda não está pronto e, por isso, precisa de ajuda!) nos irritamos e brigamos com ele o rotulando de chorão, chato e outras coisas... Como será que ele se sente?

E quando queremos que ele saia das fraldas? Fazemos por ele ou por nós mesmos, porque não agüentamos mais comprar e trocar fraldas? A criança precisa de tempo! Que seja 2,5 anos ou 3, pouco importa, mas ela precisa se sentir confiante e pronta (inclusive fisicamente) para se sentar em um peniquinho ou numa privada. Mas, quantas vezes batemos nela ou a humilhamos porque ela faz xixi na calça? Será que sabemos o quanto a estamos prejudicando?

Esses são apenas alguns exemplos de ocasiões em que julgamos "não termos tempo" para esperar o desabrochar de nossas crianças... Precisamos olhar para elas e perceber que são indivíduos únicos e especiais e que precisam seguir a ordem natural da vida para se tornarem plenas. Precisamos nos tornar pontes para nossos filhos, aceitando nossa condição de guias e não de "donos". Precisamos ensiná-las com exemplos, através de atitudes e não de palavras vazias e sem nexo. Precisamos, acima de tudo, nos enxergar, com todas as nossas qualidades e defeitos e assim, aceitar e amar (realmente) nossos filhos pelo que eles são e não pelo que sonhávamos e esperávamos que eles fossem. A arte de "ser" é uma decisão que cabe somente a cada um. É condição intransferível.

 
Fonte:
Data: 21/2/2003
 
 

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